introdução de tudo que se passa

comecei a discorrer sobre o furacão que tá a minha cabeça, pra tentar organizar as ideias. a partir dessa edição, dá pra ter uma ideia do que serão as edições futuras.

introdução de tudo que se passa
Photo by Nick Fewings / Unsplash

É incrível que a depressão realmente é o que é. Na geografia, aprendi que depressão é um desnível, um buraco, cercada por penhascos. É importante entender que não somos nós que voluntariamente nos jogamos neste buraco. Cair num buraco é muito mais fácil que escala-lo de volta para a superficie. E o que é a superfície? Como é a vida na lá? Às vezes, quanto mais o tempo passa, mais percebo que não enxergo essa parte da vida, e que todos a minha volta, de alguma maneira, estão na mesma escalada.

A volta é difícil. Afinal, temos um bloqueio nas nossas forças. Coisas que são essenciais pra estar bem, pra se ver bem. Bloqueio de hormônios, de emoções, de forças, da própria vontade de sair. Vemos uma fila de processos a ser enfrentados pra sair da depressão, que uma vida não parece suficiente.

Meus poros ficam mais abertos. Fica tão mais fácil amar e odiar. Parece que eu crio uma camada extra de cuidado, e eu conto sempre com o azar. De tanto me sentir machucado pelas outras pessoas e pelas ironias do destino, mantenho aberto um radar de perigo.

Pode ser uma consequência de ser uma pessoa amigável, que cativa os outros com facilidade, um gente boa comum, como tanta gente por aí. Deixando tanta gente entrar, vai chegar gente que vai te machucar. Até que num ponto da vida, eu vou me encontrar tão de saco cheio de frustrações, que vou ligar o modo paranóico. Procuro “indicadores de pessoa merda” o mais rápido possível, antes de me aprofundar em qualquer aventura. Geralmente a gente olha o voto nas eleições, as pessoas que ele/ela segue no instagram, o tipo de música que gosta de ouvir.

Não sei como andam as coisas no mundo normal, mas, na minha cabeça, a amizade ainda é amizade. Eu ainda sou um amigo valoroso, que exige algo minimamente próximo disso em retorno. Na vida adulta, é difícil manter esse tipo de vínculo com pessoas comuns (heterossexuais). As prioridades são completamente diferentes. O catolicismo proporcionou o ideal do seu melhor amigo ser o seu par, seu cônjuge. Tudo que estiver além disso é passageiro. Daqui a discussão se ramifica pra muitos subtópicos, e até planejo falar de cada um deles futuramente.

Eu tenho muita vontade de ir fundo no estudo sobre minha própria depressão. Mas não quero pesar uma única edição com isso tudo. Mas posso relatar um episódio recente… Na próxima edição, vou narrar o pandemônio que foi a minha saída da academia - um passo que dei pra tentar sair do buraco.

Títulos extraídos da minha cabeça hoje, que podem vir a ser pauta nas próximas edições:

  • Religiosamente, pessoas comuns não vivem para si, vivem para expectativas e ostentação de status social;
  • Homens comuns odeiam mulheres (conheço só a Taylor Swift!);
  • O cinismo da monogamia (só o homem pode);
  • Sexualidade não existe (e eles ficam de pau duro pra qualquer coisa);
  • Trends esvaziam sua originalidade (a internet acabou);
  • Responsabilidade afetiva (Andrey, você tá fodido nessa);
Vista do Planalto das Guianas de cima do Monte Roraima, localizado entre o Brasil, a Guiana e a Venezuela.